Nunca havia pensado e observado a praia por esse “prisma”.

Todos sabemos que a rotina para crianças com autismo é muito importante. Mas o “sair da rotina” é equivalente. A mudança de ambientes, proporciona a criança ter novas experiências, ver novos lugares, experimentar situações com as quais normalmente ela não teria no seu dia a dia. Tudo isso contribui para o seu desenvolvimento e aprendizagem.
No meio autístico é sabido também que a atração pela água é inexorável. Logo, a praia torna-se um ambiente estimulador para a criança.
Recentemente eu e minha família tivemos a oportunidade de ir a Bahia. Meu filho Artur, 10 anos, autista grave, me mostrou o quanto esse tipo de atividade é importante para ele. Observei o seu comportamento. Nunca havia pensado e observado a praia por esse “prisma”. Ele me mostrou  que o “mar” tem a sua rotina. A repetição das ondas sequencialmente e infinitamente…. trazidas com o som que ela produz… Ele ficou “horas” olhando… Feliz e tranquilo. Sem celular, tablet… somente “a praia”… A água com toda sua propriedade de envolvimento corporal, toque, força, cor, sabor (salgado…) e a areia foram estímulos sensórias espetaculares e o melhor “gratuitos”.
Pensem, visual, auditivo, tátil, olfato e o paladar…. todos foram experimentados. Uma experiência fantástica tanto para ele, como para nós. Muitas crianças com autismo, tem problemas sensoriais e a estimulação faz diferença. Lógico que não tratamos aqui de fazer o papel dos profissionais que cuidam desse tratamento, mas claro que ajudamos nesse processamento sensorial, pois temos novas sensações que transformam esse estímulo em um impulso neurológico os quais vão trazer uma nova percepção, e sua organização processual trará novas respostas ao ambiente. Sejam elas positivas ou negativas, o fato é que tudo deve ser observado com cuidado…Pois cada autista é “único”, e nem todos, as vezes, podem suportar tantos estímulos diferentes. Um bom terapeuta ocupacional, pode orientá-los a respeito.
Permita-se explorar isso com seu filho. Converse com ele. Birras, fraldas, gritos e movimentos estereotipados, fazem parte do nosso cotidiano. O que as pessoas vão pensar? Você está preocupado? Eu me preocuparia muito mais com meu filho !!! Se as pessoas questionarem? Diga: “meu filho é especial” e muito mais que especial. Ele é único! É nosso professor, aprendemos com ele a cada dia…
O que meu filho trouxe dessa viagem é a mesma coisa que todos trazemos: “renovação”, novas experiências, interações e muito aprendizado. Como terapeuta tenho observado que meus pacientes sempre dão “grandes saltos” após as férias ou viagens. Sei que viajar hoje em dia é complicado… mas pequenas mudanças em nossos hábitos familiares como: levar seu filho até uma praça, ir à padaria com ele, mercado, ou mesmo andar na rua, podem fazer toda a diferença para a criança com autismo.

Sejam felizes!

Abraços,

Meiry Geraldo